2026 pode ser o ano da virada para quem quer sair do aluguel no Norte do Paraná
Por Beto Justus e Luã Brandalise
O Norte do Paraná vive um dos ciclos mais consistentes de crescimento imobiliário de sua história recente. Em 2024, Londrina registrou R$ 3,3 bilhões em Valor Geral de Vendas (VGV), o maior resultado já apurado no município. Ao mesmo tempo, Maringá figura entre as cidades que mais se valorizaram no país. Esse movimento não é pontual — ele reflete uma região com expansão urbana planejada, geração de empregos e qualidade de vida acima da média.
Por trás desse cenário, há um dado ainda mais relevante: uma base expressiva de famílias que continuam vivendo de aluguel. No Paraná, o déficit habitacional é estimado em cerca de 491 mil moradias, segundo a Cohapar. Isso evidencia não apenas um desafio social, mas também uma demanda reprimida que começa, agora, a encontrar condições reais para se transformar em decisão de compra. E é justamente em 2026 que esse movimento ganha força.
Após anos em que a inflação e os reajustes do salário mínimo afastaram milhares de famílias das faixas mais vantajosas do programa Minha Casa, Minha Vida, o governo federal prepara uma atualização estratégica dos limites de renda — uma correção necessária e aguardada pelo mercado.
A proposta prevê o aumento do teto da Faixa 1, de cerca de R$ 2.850 para aproximadamente R$ 3.200 mensais, e da Faixa 2, de R$ 4.700 para cerca de R$ 5.000. Na prática, isso significa que famílias com renda compatível com o segmento econômico, mas que haviam sido excluídas pelas distorções inflacionárias, voltam a se enquadrar nas faixas com maiores subsídios e taxas de financiamento mais acessíveis.
Esse ajuste é especialmente relevante para regiões como o Norte do Paraná, onde a renda média das famílias evoluiu, mas o acesso ao crédito subsidiado não acompanhou esse crescimento na mesma velocidade. Corrigir essa defasagem amplia o universo de compradores aptos e destrava decisões que estavam represadas.
O cenário se fortalece ainda mais com os recursos já assegurados para 2026. O Minha Casa, Minha Vida entra no próximo ano com crescimento projetado de pelo menos 18%, sustentado por um orçamento autorizado de R$ 153 bilhões para produção e aquisição de imóveis nas faixas 1 a 4 — acima dos R$ 129,5 bilhões executados no ciclo anterior. Na prática, isso sinaliza continuidade, escala e previsibilidade para o setor.
Além disso, mudanças no ambiente fiscal tendem a ampliar a capacidade de compra das famílias. A ampliação da isenção do Imposto de Renda para rendas de até R$ 5 mil mensais deve gerar ganho real no orçamento, impactando positivamente o poder de compra de quem busca sair do aluguel. Esse fator adiciona um estímulo relevante ao mercado habitacional ao longo de 2026.
Mesmo considerando que essa renda adicional possa ser direcionada a outras prioridades do dia a dia, quando incorporada à decisão de aquisição do imóvel, o efeito é estrutural. Para famílias com renda de até R$ 4,7 mil, no limite da Faixa 2, o aumento da renda disponível amplia a capacidade de financiamento, reduz a dependência de recursos próprios para a entrada e expande o leque de unidades viáveis.
Para as incorporadoras, inseridas em um ambiente de previsibilidade de funding e política pública alinhada, esse contexto favorece maior liquidez, acelera a velocidade de vendas e melhora a eficiência na alocação de capital.
Esse avanço se soma a um ambiente macroeconômico potencialmente mais favorável ao crédito. A expectativa de queda gradual da taxa Selic ao longo de 2026 — com projeções em torno de 12,25% ao final do ano — contribui para um cenário de maior confiança, tanto por parte das instituições financeiras quanto dos compradores. Mesmo com taxas já reduzidas no Minha Casa, Minha Vida, o custo do dinheiro influencia o comportamento do mercado como um todo.
Outro ponto fundamental é a garantia de recursos. O orçamento do FGTS destinado à habitação em 2026 é recorde: R$ 144,5 bilhões. Isso assegura previsibilidade para aprovações, contratações e lançamentos — algo decisivo em mercados aquecidos como Londrina, Maringá e cidades do entorno.
Além disso, programas como o Casa Fácil Paraná potencializam ainda mais esse acesso, oferecendo subsídios complementares que podem chegar a R$ 20 mil para famílias e até R$ 80 mil para idosos, reduzindo significativamente o valor financiado e a necessidade de entrada.
Ao analisar esse conjunto de fatores, o que se desenha é uma janela estratégica rara: renda corrigida, crédito estruturado e recursos disponíveis.
Como incorporadora que atua diretamente no segmento econômico e no Minha Casa, Minha Vida no Norte do Paraná, acompanhamos de perto esse movimento. Observamos também um ambiente regulatório que, mesmo em ano eleitoral, mantém metas agressivas de contratação e sinaliza continuidade no apoio ao setor habitacional.
Sair do aluguel nunca foi apenas uma decisão financeira. É uma decisão de segurança, estabilidade e construção de patrimônio familiar. Em 2026, os fundamentos estão postos: produto adequado, crédito estruturado e recursos disponíveis.
Para quem acompanha o setor de perto, o cenário não aponta para expectativa — aponta para execução.
Beto Justus é CEO da Blendi Empreendimentos e Luã Brandalise é COO da incorporadora, que atua no segmento econômico e no programa Minha Casa, Minha Vida no Paraná.